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Estudo mapeia áreas com tendência de erosão em Lagoa Dourada

Um levantamento feito pelo pós-graduando em Tecnologias e Inovações Ambientais da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Victor Lima, registrou diversas áreas do perímetro urbano de Lagoa Dourada que apresentam risco de erosão do tipo movimento de massa de solo. Os dados possuem grande relevância, pois apontam áreas em que grandes massas de solo podem se deslocar, causando prejuízos ambientais, financeiros ou mesmo tirando vidas.

Porção do Morro do Cristo, próxima à parte baixa do Sassafrás, foi uma das mais afetadas.

A motivação para a pesquisa se deve à chuva intensa ocorrida no início de 2020, que culminou em vários pontos do deslizamento de solo no município. Pelo estudo, foi observado que os dez locais que apresentaram os piores cenários de movimentos de massa de solo no município estão nas áreas caraterizadas como sendo de risco pela pesquisa. Dentre elas, estão as áreas próximas a estrada que liga a cidade aos povoados do Matatu e à Mutuca, e também próximo à BR 383 e à MG 275.

Região analisada pelos especialistas, que engloba o perímetro da cidade.
Pontos em que foram registrados deslocamentos de terra.

Segundo o pesquisador, as chuvas, a declividade, o tipo e uso do solo são determinantes para que esse tipo de fenômeno ocorra. Entretanto, existem outros fatores que podem influenciar, o que exige uma avaliação em campo, amostragens e análises em laboratórios.

“É possível observar áreas com elevada declividade e solos com baixa resistência aos processos erosivos, mas devido ao uso e ocupação com boas práticas de manejo, não apresentam cenários de degradação. Em contrapartida, existem solos resistentes, cujas características favorecem a mecanização e as práticas agrosilvopastoris, porém o uso e ocupação ocorre de forma tão intensiva e desgastante que propicia a ocorrência dos diversos tipos de erosão”, afirmou.


Victor ainda aponta que as tempestades no começo do ano passado ultrapassaram o nível comum. “Em média, meses como dezembro e janeiro têm respetivamente 300 mm e 286 mm de precipitação. Aquela chuva que causou grandes estragos no município em 2020 foi estimada em 150 mm pela Defesa Civil, ou seja, em aproximadamente quatro horas choveu praticamente a metade do previsto para o mês inteiro”, destaca.

O pesquisador pretende apresentar os resultados da pesquisa para os profissionais da prefeitura que são responsáveis pela prevenção de desastres e para um vereador, para que seja discutido pelo Legislativo e avaliado pela Defesa Civil.

Áreas adjacentes à região urbana que também possuem risco de deslizamentos.

O estudo faz parte da dissertação de mestrado de Victor, cuja linha de pesquisa está relacionada com solo e meio ambiente. Como base, foram utilizados dados do projeto TOPODATA – Banco de Dados Geomorfométricos do Brasil da Divisão de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que por sua vez se baseia no processamento do Modelo Digital de Elevação (MDE) da Shuttle Radar Topography Mission (SRTM), uma missão espacial para obter um banco de dados topográfico de alta resolução.

Além do mestrando, o estudo teve o apoio dos professores Junior Cesar Avanzi e Marx Leandro Naves Silva, do Departamento de Ciência do Solo da UFLA.

Imagens: Victor Lima.

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