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Aumenta a busca de remédios sem comprovação contra a COVID-19

A revista Nature publicou um estudo, nesta quarta feira (22), que aponta a ineficácia da hidroxicloroquina no combate à COVID-19. Os testes foram realizados por pesquisadores franceses em macacos verdes africanos, que compartilham algumas semelhanças com o ser humano.

De acordo com a pesquisa, o medicamento não apresentou efeito em primatas contaminados pelos SARS-CoV 1 e 2. Também foram feitos exames in vitro de células respiratórias humanas com a cloroquina, que não demonstraram efeito. Contudo, o texto ainda está em análise pela revista, que aponta, entre outros fatores, a insuficiência da testagem em pessoas.

A hidroxicloroquina apresentou alguma eficácia nos experimentos iniciais, mas estudos posteriores têm apontado para o sentido oposto. Um fenômeno semelhante tem ocorrido com os antiparasitários nitazoxanida e ivermectina. As drogas tem sido muito divulgadas nas redes sociais como forma de prevenção do contágio.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, disse à BBC que “esse teste in vitro que mostrou que a ivermectina pode ter uma atividade antiviral, mas a dose necessária para isso também mata as células do organismo. Então, precisaríamos de uma hiperdose, que seria tóxica para nós, para ela funcionar.”

Imagem: Reprodução / Estado de Minas.

Risco da automedicação

O médico Joaquim Inácio Melo Júnior, que defendeu publicamente o uso do vermífugo após ser diagnosticado com o vírus, foi internado em uma UTI no último dia 17, de acordo com a Folha de São Paulo.

Embora a ivermectina seja um remédio com poucos efeitos colaterais, seu consumo irresponsável pode ser nocivo ao organismo. Em sua bula é recomendada apenas uma dose, podendo variar de acordo com tratamento médico. Ela também é contraindicada para pessoas com meningite ou que fazem tratamento de insônia ou ansiedade, bem como analgésicos e bebidas alcoólicas.

A médica do PSF, Débora Nascimento, disse que a cloroquina tem muitos efeitos colaterais, principalmente no sistema cardiovascular, com risco ainda maior para quem possui arritmia cardíaca. Ela disse também que a ivermectina é contraindicada para gestantes, e o Brasil é o terceiro país que mais consome o medicamento.

Segundo Débora, o procedimento laboratorial para a aprovação de um remédio é complexo. Primeiro é feito um teste in vitro no laboratório, com cultura de células. Caso os resultados sejam positivos, passam a ser replicados em células de rato, e só depois para seres humanos.

“Para ser comprovado, o estudo mais confiável é um teste randomizado duplo-cego. Ou seja, um grupo de estudo recebe o medicamento, e metade recebe um placebo. Nem as pessoas nem os pesquisadores sabem quem recebe o medicamento ou o placebo. É feito acompanhamento e os especialistas avaliam quem de fato teve benefício. Somente após esses testes pode ser confirmada a eficácia”, afirmou a doutora.

Por fim, Débora pontua que a automedicação é perigosa em todos os aspectos. Quem se automedica pode ter grandes malefícios, sem retorno positivo algum para o organismo. Pessoas que já tomam medicação, por exemplo, podem ter reações adversas entre as os agentes químicos, causando grande mal. “Toda droga tem efeito colateral, e para algumas pessoas o risco pode ser amplificado.”

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